13 de Janeiro, 2026
Salmonella na Indústria Alimentar: Riscos, Prevenção e Estratégias de Control
O que é a Salmonella e como afeta a segurança alimentar?
A Salmonella é um dos patógenos mais relevantes na indústria alimentar devido à sua capacidade de contaminar uma ampla variedade de produtos e gerar surtos de doenças transmitidas por alimentos (DTA). Trata-se de um género de bactérias Gram negativas, pertencentes à família Enterobacteriaceae, que pode sobreviver em diferentes ambientes e resistir a processos tecnológicos se não forem aplicados controlos adequados.
O género Salmonella inclui mais de 2500 serotipos, sendo os mais comuns S. enteritidis e S. typhimurium. Estas bactérias são patógenos zoonóticos, ou seja, podem ser transmitidas de animais para humanos através dos alimentos.

O impacto na segurança alimentar reside na sua capacidade de:
- Colonizar o trato gastrointestinal humano e animal.
- Sobreviver em superfícies e equipamentos de processamento por longos períodos de tempo.
- Resistir a condições de stress ambiental, como acidez, dessecação ou baixas temperaturas.
Em termos de impacto na saúde, a salmonelose representa uma das principais causas de doenças diarreicas a nível mundial. De acordo com dados do último relatório apresentado pela EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos), em 2023, na União Europeia, houve 77 486 casos confirmados de salmonelose, correspondendo a uma taxa de notificação de 18 casos por cada 100 000 habitantes. Com um aumento de 16,9% em relação aos casos confirmados em 2022. Isto coloca-a em segundo lugar em número de casos confirmados, apenas atrás da campilobacteriose (com 148 181 casos confirmados em 2023).

A segurança alimentar é altamente comprometida porque mesmo doses infecciosas baixas (10² a 10³ células bacterianas) são suficientes para causar doenças, o que obriga a implementar controlos rigorosos em todas as fases da cadeia de abastecimento.
Os sintomas mais frequentes da salmonelose são diarreia, dor abdominal, febre, náuseas, vómitos e mal-estar geral, podendo surgir entre 6 e 72 horas após a ingestão do alimento contaminado.
A duração destes sintomas é geralmente de 4 a 7 dias. Em pessoas saudáveis, não costumam surgir complicações, mas é necessário ter um cuidado especial com pessoas vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas.
Salmonella na indústria alimentar: causas e riscos.
As principais causas de contaminação por Salmonella na indústria alimentar incluem:
- Matérias-primas contaminadas: carne crua, ovos, leite não pasteurizado, vegetais irrigados com água contaminada.
- Água contaminada utilizada na lavagem ou refrigeração dos alimentos.
- Deficiências higiénicas na manipulação, armazenamento ou transporte.
- Contaminação cruzada entre produtos crus e prontos para consumo.
- Falhas na cadeia de frio, que permitem a multiplicação bacteriana.
- Manipuladores de alimentos portadores da bactéria.
A nível europeu, é o Regulamento (CE) n.º 2073/2005 da Comissão que estabelece os critérios microbiológicos relativos aos produtos alimentares e que indica as diretrizes de amostragem e os critérios a seguir para o controlo da Salmonella nos produtos alimentares.
De acordo com os dados apresentados no relatório da EFSA mencionado no ponto anterior, em 2023, de todos os tipos de alimentos amostrados, o que apresentou o maior índice de contaminação foi a carne fresca de aves (9,0 % positivos das amostras analisadas), seguido dos produtos derivados de carne de aves destinados a serem cozinhados (8,1 % das amostras analisadas). Em menor proporção, também foram detetados resultados positivos para Salmonella em ovos e derivados e germinados prontos para consumo.
Os riscos associados à Salmonella não se limitam à saúde pública — com quadros de gastroenterite, febre tifóide ou septicemia em casos graves —, mas também a perdas económicas, retiradas de produtos, sanções regulatórias e danos à reputação das marcas.
De acordo com dados obtidos no portal da Comunidade Europeia do Sistema de Alerta Rápido para Alimentos e Rações (RASFF, na sigla em inglês), no primeiro semestre de 2025 foram registadas 346 notificações pela presença de Salmonella em alimentos e rações distribuídos na União Europeia. A gravidade das notificações é especificada no sistema de alertas, bem como a sua origem e as ações e medidas corretivas tomadas.
Graças aos rigorosos sistemas de autocontrolo e às boas práticas dos produtores, a maioria das notificações tem origem no próprio produtor, que é quem deteta a contaminação do produto e a notifica às autoridades competentes. As medidas corretivas mais comuns são geralmente a publicação de comunicados de imprensa e a retirada do produto do mercado.
Um sistema de rastreabilidade adequado permite determinar com precisão quais são os lotes afetados e onde foram distribuídos. Isto facilita enormemente a retirada do produto do mercado e agiliza a comunicação ao consumidor, sempre com o objetivo de garantir a sua segurança e evitar possíveis intoxicações alimentares.
Prevenção da Salmonella em fábricas de produção de alimentos.
A prevenção centra-se na aplicação de sistemas de gestão da segurança alimentar, como Boas Práticas de Fabrico (BPF), Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controlo (HACCP) e a formação adequada do pessoal:
- Higiene:
- Limpeza e desinfeção de rotina de equipamentos e superfícies.
- Utilização de detergentes e desinfetantes eficazes contra a Salmonella.
- Controlo de matérias-primas:
- Seleção de fornecedores certificados.
- Inspeção e análises microbiológicas regulares.
- Gestão do pessoal:
- Formação contínua em segurança alimentar.
- Implementação de protocolos de higiene pessoal, como lavagem das mãos e uso de vestuário adequado.
- Controlo ambiental:
- Monitorização da água de processo.
- Verificação da qualidade do ar em áreas críticas.
- Segregação de áreas:
- Separação física entre áreas de produtos crus e áreas de produtos prontos para consumo.
- Prevenção de fluxos cruzados de pessoal e materiais.
- Cadeia de frio:
- Manter temperaturas adequadas de refrigeração e congelamento.
- Monitorização constante através de sistemas de registo.
Todas estas práticas, integradas num plano HACCP, permitem reduzir significativamente a probabilidade de surtos associados à Salmonella.
A PROQUIMIA dispõe de uma gama completa de produtos desinfetantes que cumprem o Regulamento (UE) n.º 528/2012 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 22 de maio de 2012, relativo à comercialização e utilização de biocidas.
Dentro desta gama de produtos, referências como VIXCLOR, ASEPVIX e DEOBACT D, entre outras, destacam-se por incorporarem estudos específicos que comprovam a sua eficácia biocida contra a Salmonella. Estes ensaios foram realizados de acordo com os critérios estabelecidos pela norma UNE-EN 13697, demonstrando uma atividade bactericida eficaz contra a Salmonella typhimurium.
A incorporação destes produtos nos procedimentos de limpeza e desinfeção de instalações agroalimentares, bem como nas áreas de manipulação de alimentos de instituições, hotéis e restaurantes, proporciona um grau extra de segurança na prevenção e controlo da contaminação de alimentos por Salmonella.
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