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Salmonella na Indústria Alimentar: Riscos, Prevenção e Estratégias de Control

O que é a Salmonella e como afeta a segurança alimentar?

A Salmonella é um dos patógenos mais relevantes na indústria alimentar devido à sua capacidade de contaminar uma ampla variedade de produtos e gerar surtos de doenças transmitidas por alimentos (DTA). Trata-se de um género de bactérias Gram negativas, pertencentes à família Enterobacteriaceae, que pode sobreviver em diferentes ambientes e resistir a processos tecnológicos se não forem aplicados controlos adequados.

O género Salmonella inclui mais de 2500 serotipos, sendo os mais comuns S. enteritidis e S. typhimurium. Estas bactérias são patógenos zoonóticos, ou seja, podem ser transmitidas de animais para humanos através dos alimentos.

Carne de frango, salmão e outros alimentos com uma representação ampliada da bactéria Salmonella, ilustrando o risco de contaminação na indústria alimentar.
A Salmonella pode contaminar diversos alimentos de origem animal, tornando essenciais as medidas de higiene, controlo microbiológico e segurança alimentar ao longo de toda a cadeia de produção.

O impacto na segurança alimentar reside na sua capacidade de:

  • Colonizar o trato gastrointestinal humano e animal.
  • Sobreviver em superfícies e equipamentos de processamento por longos períodos de tempo.
  • Resistir a condições de stress ambiental, como acidez, dessecação ou baixas temperaturas.

Em termos de impacto na saúde, a salmonelose representa uma das principais causas de doenças diarreicas a nível mundial. De acordo com dados do último relatório apresentado pela EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos), em 2023, na União Europeia, houve 77 486 casos confirmados de salmonelose, correspondendo a uma taxa de notificação de 18 casos por cada 100 000 habitantes. Com um aumento de 16,9% em relação aos casos confirmados em 2022. Isto coloca-a em segundo lugar em número de casos confirmados, apenas atrás da campilobacteriose (com 148 181 casos confirmados em 2023).

Tabela com os principais casos de zoonoses na União Europeia em 2023, destacando a salmonelose com 77.486 casos confirmados e um aumento de 16,9% em relação a 2022.
A salmonelose foi a segunda zoonose mais notificada na União Europeia em 2023, com 77.486 casos confirmados, evidenciando a importância da segurança alimentar e do controlo microbiológico.

A segurança alimentar é altamente comprometida porque mesmo doses infecciosas baixas (10² a 10³ células bacterianas) são suficientes para causar doenças, o que obriga a implementar controlos rigorosos em todas as fases da cadeia de abastecimento.

Os sintomas mais frequentes da salmonelose são diarreia, dor abdominal, febre, náuseas, vómitos e mal-estar geral, podendo surgir entre 6 e 72 horas após a ingestão do alimento contaminado.

A duração destes sintomas é geralmente de 4 a 7 dias. Em pessoas saudáveis, não costumam surgir complicações, mas é necessário ter um cuidado especial com pessoas vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas.

Salmonella na indústria alimentar: causas e riscos.

As principais causas de contaminação por Salmonella na indústria alimentar incluem:

  • Matérias-primas contaminadas: carne crua, ovos, leite não pasteurizado, vegetais irrigados com água contaminada.
  • Água contaminada utilizada na lavagem ou refrigeração dos alimentos.
  • Deficiências higiénicas na manipulação, armazenamento ou transporte.
  • Contaminação cruzada entre produtos crus e prontos para consumo.
  • Falhas na cadeia de frio, que permitem a multiplicação bacteriana.
  • Manipuladores de alimentos portadores da bactéria.

A nível europeu, é o Regulamento (CE) n.º 2073/2005 da Comissão que estabelece os critérios microbiológicos relativos aos produtos alimentares e que indica as diretrizes de amostragem e os critérios a seguir para o controlo da Salmonella nos produtos alimentares.

De acordo com os dados apresentados no relatório da EFSA mencionado no ponto anterior, em 2023, de todos os tipos de alimentos amostrados, o que apresentou o maior índice de contaminação foi a carne fresca de aves (9,0 % positivos das amostras analisadas), seguido dos produtos derivados de carne de aves destinados a serem cozinhados (8,1 % das amostras analisadas). Em menor proporção, também foram detetados resultados positivos para Salmonella em ovos e derivados e germinados prontos para consumo.

Os riscos associados à Salmonella não se limitam à saúde pública — com quadros de gastroenterite, febre tifóide ou septicemia em casos graves —, mas também a perdas económicas, retiradas de produtos, sanções regulatórias e danos à reputação das marcas.

De acordo com dados obtidos no portal da Comunidade Europeia do Sistema de Alerta Rápido para Alimentos e Rações (RASFF, na sigla em inglês), no primeiro semestre de 2025 foram registadas 346 notificações pela presença de Salmonella em alimentos e rações distribuídos na União Europeia. A gravidade das notificações é especificada no sistema de alertas, bem como a sua origem e as ações e medidas corretivas tomadas.

Graças aos rigorosos sistemas de autocontrolo e às boas práticas dos produtores, a maioria das notificações tem origem no próprio produtor, que é quem deteta a contaminação do produto e a notifica às autoridades competentes. As medidas corretivas mais comuns são geralmente a publicação de comunicados de imprensa e a retirada do produto do mercado.

Um sistema de rastreabilidade adequado permite determinar com precisão quais são os lotes afetados e onde foram distribuídos. Isto facilita enormemente a retirada do produto do mercado e agiliza a comunicação ao consumidor, sempre com o objetivo de garantir a sua segurança e evitar possíveis intoxicações alimentares.

Prevenção da Salmonella em fábricas de produção de alimentos.

A prevenção centra-se na aplicação de sistemas de gestão da segurança alimentar, como Boas Práticas de Fabrico (BPF), Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controlo (HACCP) e a formação adequada do pessoal:

  1. Higiene:
    • Limpeza e desinfeção de rotina de equipamentos e superfícies.
    • Utilização de detergentes e desinfetantes eficazes contra a Salmonella.
  2. Controlo de matérias-primas:
    • Seleção de fornecedores certificados.
    • Inspeção e análises microbiológicas regulares.
  3. Gestão do pessoal:
    • Formação contínua em segurança alimentar.
    • Implementação de protocolos de higiene pessoal, como lavagem das mãos e uso de vestuário adequado.
  4. Controlo ambiental:
    • Monitorização da água de processo.
    • Verificação da qualidade do ar em áreas críticas.
  5. Segregação de áreas:
    • Separação física entre áreas de produtos crus e áreas de produtos prontos para consumo.
    • Prevenção de fluxos cruzados de pessoal e materiais.
  6. Cadeia de frio:
    • Manter temperaturas adequadas de refrigeração e congelamento.
    • Monitorização constante através de sistemas de registo.

Todas estas práticas, integradas num plano HACCP, permitem reduzir significativamente a probabilidade de surtos associados à Salmonella.

A PROQUIMIA dispõe de uma gama completa de produtos desinfetantes que cumprem o Regulamento (UE) n.º 528/2012 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 22 de maio de 2012, relativo à comercialização e utilização de biocidas.

Dentro desta gama de produtos, referências como VIXCLOR, ASEPVIX e DEOBACT D, entre outras, destacam-se por incorporarem estudos específicos que comprovam a sua eficácia biocida contra a Salmonella. Estes ensaios foram realizados de acordo com os critérios estabelecidos pela norma UNE-EN 13697, demonstrando uma atividade bactericida eficaz contra a Salmonella typhimurium.

A incorporação destes produtos nos procedimentos de limpeza e desinfeção de instalações agroalimentares, bem como nas áreas de manipulação de alimentos de instituições, hotéis e restaurantes, proporciona um grau extra de segurança na prevenção e controlo da contaminação de alimentos por Salmonella.

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